...............................CAPA TESTE

Conheça a história da Colônia Zacarias

 
 
A colônia criada em São José dos Pinhais em 1878, mesmo ano em que foi instalada a primeira colônia são-joseense, a Murici e a Colônia Inspetor Carvalho (hoje Gamelas). É a Colônia Zacarias. Diferente das colônias Murici, Gamelas, Mergulhão, Capão Grosso, Costeira e Accioli, a Colônia Zacarias foi instalada no lado oeste do Município e com uma área e contingente de colonos muito menor se comparada às outras: 3.182.807m², distribuídos em 28 lotes (a título de comparação, a Murici tinha 8.755.782m², quase três vezes maior que a Zacarias, e seus moradores foram distribuídos em 73 lotes).

Casa histórica situadas na colônia [Foto: Antonio Bobrowec]

Origem do nome

O nome da colônia, assim como de outras que foram instaladas na época, é uma homenagem a uma autoridade política. No caso da Colônia Zacarias é um reconhecimento ao primeiro presidente (como se chamava na época do Império o governador de um Estado) do Paraná, Zacarias de Góes e Vasconcellos.

Os primeiros moradores

De acordo com a historiadora Maria Angélica Marochi em seu livro Imigrantes: 1870-1950: Os Europeus em São José dos Pinhais (Travessa dos Editores, 2006), os primeiros moradores da colônia Zacarias, na sua maioria, eram de origem polonesa galiciana e prussiana. Mas também havia moradores de origem italianabem como de brasileiros natos. Das famílias que se instalaram na localidade podemos citar: Negosek (ou Nogosek), Halama, Grosmann, Wastasz, Kania, Escripta, Kaderler, Wumasecky, Campa, Granda, Suckla, Licapisky, Pichoski, Leodra, Pampu, Nickel, Victal, Kciepietz, Purckot, Schviersty, Dessegne, Gugoysky, Kindler, Zaions , Gondro, Shueda, Skripe, Shuertz e Groulik.

Imagem da família de Inês Negoseck e Miguel Purkote (Foto: Famílias Purkote e Pasqualim)

Economia

Assim como outras colônias da época, a Zacarias por muitos anos realizou a agricultura de subsistência. Todos da família auxiliavam nas tarefas, inclusive as crianças. Como o trabalho era em grande parte artesanal, era realizado em mutirões, a exemplo do que ocorria com a colheita do trigo e do linho.

Em 1934 foi criada a Sociedade Instrutivo-Agrícola São Isidoro, que era uma cooperativa local.


Vida Social

Uma das grandes dificuldades dos habitantes da colônia era, sem dúvida, a língua. O polonês era um idioma muito diferente da língua portuguesa.

Com a ditadura do Estado Novo, do presidente Getúlio Vargas, em 1937, era proibido falar outro idioma se não o português e, desta forma, gradativamente os descendentes de imigrantes poloneses foram deixando de lado a língua de seus pais e avós. Outro fator que acelerou este processo foi a proximidade da colônia com a área urbana de São José dos Pinhais.

Casa histórica situadas na colônia (Foto: Antonio Bobrowec)

Da mesma forma que outros imigrantes que resolveram se instalar no Município, a religião católica era culturalmente forte nessas pessoas. Isso fez com que em 1885, pouco tempo depois de se instalarem na região, os moradores construíram uma igrejinha de madeira, de mais ou menos 20m². A padroeira escolhida foi Nossa Senhora do Rosário. Contudo, só em 1923 foi construída uma igreja toda em alvenaria, que se encontra até hoje no local. Com isso foi destruída a igreja anterior em madeira.

Igreja Nossa Senhora do Rosário, construída em 1923 [Foto: Antonio Bobrowec]

É válido ressaltar que o ambiente da religião ia além das celebrações de missas e rezas de terço. Era neste local que ocorriam as festas e os encontros de final de semana entre as famílias da época, sem contar que era uma oportunidade dos jovens se paquerarem. Mas, tudo muito diferente dos dias de hoje. Marochi relata casos de famílias que casavam seus filhos por arranjo, aonde o casal só viria a se conhecer somente no dia do casamento.

Sobre a educação dos moradores da colônia, há registros que desde 1885 havia uma escola na localidade, chamada de Escola Promíscua da Colônia Zacarias. A primeira professora a lecionar foi Francisca de Vasconcellos Chaves. Um detalhe importante: a escola era pública e nela se deveria lecionar não em língua polonesa, mas em português. Em 1906, novo relatório cita duas escolas no Zacarias, uma delas particular e que possivelmente lecionava em polonês – uma tentativa dos moradores de preservar a língua dos seus antepassados. Porém, não duraria muito tempo. Em clima de nacionalismo, período entre Guerras Mundiais, começou-se a repudiar tudo que lembrasse o estrangeiro. A língua e a cultura polonesa foram engolidas pela aculturação radical por parte do Estado e da urbanização.

Fonte:

* Antonio Francisco Bobrowec é bacharel em Comunicação Social - Jornalismo (PUCPR/Eseei), licenciado em Filosofia (Bagozzi), pós-Graduado em História Antiga e Medieval/ História e Geografia do Paraná (Itecne) e mestrando em Educação e Novas Tecnologias (Uninter). Atualmente é presidente do Conselho Municipal de Cultura (CMC) e do Conselho Municipal de Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), ambos de São José dos Pinhais.

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VEREADOR ALEX PURKOTE AMORPor SJP

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